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Emissor UVC e a qualidade do ar interior

Sexta, 31 de Julho de 2009

Por Ana Paula Basile Pinheiro - Climatização & Refrigeração / Julho 2009.

Aplicação proporciona economia no consumo de energia e no custo com a manutenção do sistema.

Diversos processos têm sido aplicados no tratamento para a qualidade do ar em ambientes climatizados. Um deles é referente a implementação de emissores UVC.

Segundo Celso Simões Alexandre, diretor superintendente da TROX do Brasil, o efeito das radiações ultravioleta no controle de microorganismos é conhecido desde o início do século passado e a utilização de lâmpadas ultravioletas foi implantada em 1920 na Europa, em hospitais, na parte superior dos quartos objetivando o controle de contaminação do ar. Daí para frente sua aplicação vem sendo utilizada também em sistemas de climatização para diversos segmentos comerciais, já que sua função germicida desativa o DNA das bactérias, vírus e outros patogênicos, destruindo sua capacidade de multiplicação e garantindo a qualidade do ar interior em ambientes climatizados.

?O desenvolvimento de emissores de radiação UVC de altíssima potência por cm de comprimento, na faixa de 254 nanometros, rompem as ligações do DNA das bactérias eliminando a principal fonte de geração de contaminação microbiológica e a inativação do mesmo. A colocação de emissores UVC na serpentina e na bandeja de condensados permanecem sobre a inf luência da emissão, proporcionando potência e tempo de exposição suficientes para eliminar a contaminação microbiológica. Sabese também que a eficiência dos emissores UVC é maior as temperaturas entre 30ºC e 60°C?, explica Simões.

Marcelo Sorrilha, gerente geral da Siprape UVC, acrescenta que a tecnologia por energia ultravioleta foi criada na França, na qual vem sendo utilizada em diversos segmentos, e em especial para instalações de ar condicionado, gera benefícios como tratamento físico e não químico; não altera as condições naturais do ambiente; manutenção baixa nos equipamentos; menor consumo de energia e, principalmente, a eliminação de vários fungos, bactérias e outros indesejáveis.

?Sabemos que a qualidade do ar interno de diversos tipos de ambientes é garantida pelo sistema de condicionamento do mesmo. Como muitas vezes, a manutenção destes sistemas não é feita adequadamente, faz com que a contaminação esteja presente. O UVC tem a função de eliminar microorganismos presentes nos dutos de ar, na saída e retorno dos equipamentos de ar condicionado central, e até mesmo no interior do mesmo, onde a serpentina e a bandeja de condensação são os lugares mais prováveis de contaminação, devido as condições de temperatura e umidade em que trabalham?.


Aplicação e eficiência

O ar passando pela inf luência de uma lâmpada UVC é purificado, diz o diretor superintendente da TROX do Brasil, porém, dependendo do tempo de exposição, da potência de radiação e do tipo de microorganismos (uns resistem mais outros menos) uma parte dos microorganismos é eliminada e isso já é uma melhoria.

A utilização dos emissores UVC aplicados em frente a serpentina dos equipamentos, onde a temperatura é baixa, da ordem de 10ºC, necessita de uma potência de irradiação que, mesmo perdendo eficiência a baixas temperaturas, ainda teria potência suficiente para inativar a maior parte dos microorganismos. Basta lembrar que bactérias se reproduzem por divisão binária e a cada 20 minutos, uma bactéria dá origem a duas, ao fim de 40, as duas viram 4 ou seja 2 exp 2 e então ao fim de um dia, estimando 72 períodos de 20 minutos, teríamos em teoria 2 exp 72 de bactérias, número que por algumas limitações posteriores no desenvolvimento se estima reduzir-se a 70 trilhões (para fungos a divisão é a cada 6 horas, sendo preciso 18 dias para chegar ao mesmo número)?, explica Simões.

Ele diz ainda que também as poeiras que ficam retidas na serpentina agarradas às aletas, criam biofilmes e são estes que formam um adesivo que retém as partículas na serpentina diminuindo a sua eficiência de troca de calor e aumentando o consumo de energia.

"Eliminando esse biofilme e os microorganismos, a qualidade do ar insuf lado é obviamente muito melhor. A velocidade relativamente baixa do ar na serpentina, de 2,5m/s em média, também ajuda a aumentar o tempo de exposição dos microorganismos ao efeito do emissor?, diz Simões.

Sorrilha acrescenta que embora existam diversos métodos de descontaminação, sejam eles físicos ou químicos, o UVC, que é um método físico, tem como diferencial a não formação de resíduos e também seu uso ilimitado, uma vez que é possível instalar quantos em equipamentos forem necessários sem problemas de excesso de dosagem, ao contrário dos métodos químicos, onde a concentração alta pode trazer problemas.

?Quanto a sua eficiência, existem inúmeros estudos e aplicações já validadas que comprovam a eficiência do UVC na inativação de bactérias, vírus, fungos, algas e protozoários. Nossos equipamentos não se aplicam no tratamento de água de condensado. Eles são utilizados para tratar o ar no interior dos dutos e a desinfecção de superfície da serpentina trocadora de calor e bandeja de condensação?, explica Sorrilha.

Luciano Teixeira, Sales & Marketing BG Special Lighting ? Brasil da Philips, esclarece que a lâmpada é parte de um componente no qual depende de um reator de alta qualidade para poder ter uma alta performance.

?Antes de adquirir um produto para esta aplicação, e extremamente importante saber os componentes que vão dentro do produto. Saber se o fabricante se preocupou com a qualidade do produto tendo em vista que o sistema apenas será eficaz se todos os componentes utilizados no mesmo forem de ótima qualidade. De nada adianta ter uma lâmpada ligada se a mesma não emitir a quantidade de UVC necessária e apresentando uma consistência na emissão dos raios UVC?.

Para Teixeira é preciso entender que cada sistema possui o seu benefício, portanto é importante enxergar o UVC como um complemento dos sistemas convencionais utilizados hoje pelo mercado. ?A lâmpada purifica o ar/água sem utilização de produto químico, tem baixa manutenção, baixo custo, e baixo consumo de energia?, acrescenta.

Ele cita a aplicação em hospitais, apresentando excelentes resultados após a instalação de equipamentos com UVC. ?Temos como principal exemplo a Rússia, na qual obriga todos os hospitais instalarem sistemas de purificação de ar com UVC.

A instalação pode ser feita no duto ou nos quartos/ambientes que possuem uma circulação de ar a fim de haver um contato constante do ar com a lâmpada. Outra aplicação que vem ganhando espaço é a instalação de sistema de purificação UVC em dutos de ar condicionado, onde a atuação é direta nas bactérias e vírus, onde o número de lâmpadas a ser utilizado no sistema irá depender de algumas variáveis tais como: grau de desinfecção desejado (podendo chegar até 99,9%), f luxo de ar, temperatura, umidade relativa, e a potência de radiação do emissor (lâmpada).

Sorrilha cita que já realizou diversas aplicações, tanto em ambientes climatizados por sistemas dutados ou não.

?Dentre eles, posso destacar a instalação em uma indústria farmacêutica, onde instalamos os emissores UVC na saída dos equipamentos de ar condicionado central, e nos dutos de retorno. Essa instalação ocorreu de forma exemplar, pois os equipamentos UVC já foram especificados no projeto e foram dimensionados com o equipamento de ar solicitado. Quando a implantação ocorre em instalações novas os resultados são surpreendentes. Os benefícios nesta instalação foram: a melhoria na qualidade do ar interno, comprovada por análises laboratoriais; quanto aos equipamentos de ar, eles operarem sempre limpos, ou seja, os equipamentos irão se manter sempre sem contaminantes?, revela Sorrilha.

No que diz respeito ao combate aos microorganismos que se instalam no sistema de climatização, Celso Simões compartilha da mesma opinião: ?A eficiência das lâmpadas, a meu ver, proporciona uma melhoria no sistema, repercurtindo na excelente qualidade do ar interno, uma vez que, a função de outros sistemas só elimina os microorganismos da bandeja de condensados, ou tendo algum efeito bactericida evitam a proliferação na serpentina. O emissor UVC se colocado na saída da serpentina também atinge a bandeja e atua então nos três pontos. Na serpentina, na bandeja e no próprio ar que não chega a tocar na serpentina. Por eliminar o biofilme mantém a serpentina limpa com as vantagens já expostas. Outra vantagem é que não há água com biocidas para ser jogada no esgoto, sem acarretar problemas. Para ajudar numa classificação LEED parece ser a melhor solução. Então ela não é um complemento no tratamento da água. Ela é o próprio tratamento, sempre lembrando que a radiação UVC não penetra fundo na água e por isso um sifão adequado que mantenha a bandeja com quase nenhuma água é fundamental. Se há algum item que os emissores UVC são complementares é a bons sistemas de filtragem, lembrando que no ar exterior aparecem particulados sólidos, líquidos e gasosos, e pode ajudar a reduzir substancialmente o problema?.

Gisele Porciuncula, gerente de contas OEM da Honeywell do Brasil, acrescenta que as lâmpadas UVC, além de serem utilizadas para sistemas de climatização, é indicada também para aplicação em serpentinas de balcões frigoríficos e ar condicionado de ônibus.

?Todo sistema que possui serpentina é indicada a aplicação das lâmpadas UVC. Atualmente, estamos aplicando as lâmpadas, em números significativos, em balcões frigoríficos e ar condicionado de ônibus?. Ela ressalta que em relação a aplicação em balcões frigoríficos, a eficiência é de 99% quanto a não proliferação de microorganismos.

?Através de estudos e testes laboratoriais pudemos comprovar essa eficiência. Hoje temos uma parceria com a Eletrofrio, empresa fornecedora de equipamentos frigoríficos para resfriados e congelados, que vem utilizando as lâmpadas UVC em seus equipamentos, comprovando sua eficiência, além de empresas do Sul, como a Thermoking, a Clima Bus, que estão testando nos sistemas de ar condicionado de ônibus e aderindo a esta tecnologia?, cita Gisele.


Custo e pay back

A economia no consumo de energia e no custo com a manutenção do sistema permitem a recuperação do investimento em menos de um ano. ?Uma aplicação experimental em um aeroporto no Brasil elevou a capacidade de frio da serpentina em mais de 100%, serpentinas que tinham a manutenção tradicional adequadamente feita. E mesmo as lâmpadas, que perdem eficiência ao longo do tempo e ao fim de um ano devem ser trocadas, vale lembrar que mesmo se parado o ventilador, o emissor não deve ser desligado. Nos custos de pay back esse fato é considerado. A economia de energia e de manutenção e, ainda, a melhoria na qualidade do ar interior parecem justificar essa aplicação, quantificando também a saúde dos freqüentadores do edifício, a diminuição do absenteísmo e o aumento de produtividade. Fora isso, não há nenhuma manutenção a ser feita. Ao contrário, deixa de ser necessário fazer manutenção de limpeza na serpentina, já para o ventilador, damper, e outros componentes do condicionador continuam a necessitar de manutenção. Este sistema é extremamente importante, mas não se deve cair no erro comum que usando emissores, todos os outros cuidados devam ser desprezados. Continuam a ser necessários filtros adequados, difusores apropriados, PMOC e ventilação adequada?, alerta Simões.

Temos muito a difundir esta tecnologia aqui no Brasil, diz Teixeira, pois ainda hoje esta aplicação não é conhecida por todos. ?Sabemos que esta tecnologia, devidamente aplicada, com produtos e componentes de qualidade, este mercado só tende a crescer, tanto nos prédios comerciais, hospitais, laboratórios e até mesmo em prédios residenciais. O segmento laboratorial tem dado uma importância muito significativa para esta tecnologia havendo um interesse e investimento alto nos últimos anos?.

Teixeira lembra que o custo de instalação de um sistema UVC para purificação de ar é baixo, com queda significativa, já que a tecnologia vem se difundindo e se expandindo aqui no Brasil ano a ano. ?Hoje já temos produtos com custo benefício excelentes tendo em vista os benefícios e economias que um ar/água puro e livre de produtos químicos pode propiciar as pessoas?.

Já na opinião de Sorrilha a aplicação ainda tímida da tecnologia é devido a falta de conhecimento e também da aplicação de uma legislação mais criteriosa. A procura pelos sistemas UVC, em sua maioria se dá por clientes que necessitam garantir a qualidade do ar interno, seja ele devido a seu processo produtivo, ou mesmo por condições de saúde, caso estes dos estabelecimentos assistenciais de saúde.

?Quanto a porcentagem aplicada hoje, não temos como definir, mas ela vem aumentando nos ambientes que exigem maior qualidade do ar interno, como indústrias, hospitais e outros. Temos diversos modelos de equipamentos e também projetos especiais que são desenvolvidos visando justamente o melhor custo benefício para o cliente, uma vez que a manutenção consiste, basicamente, na troca das lâmpadas ao final de sua vida útil.Isto se dá por volta de um ano de uso?.

Ele salienta a importância de ações como uma fiscalização por parte dos órgãos competentes, mais atuantes, pois em diversas oportunidades verificam-se problemas nos sistemas instalados pelo Brasil, diferente do que acontece em países como EUA, Alemanha, Holanda, entre outros.

Veja as Fotos

Divulgação Instalação do emissor UVC na serpentina Emissores UVC rompem as ligações do DNA das bactérias eliminando a fonte de geração de contaminação microbiológica Esquema de instalação no duto de ar
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